Haddad chama bets de praga, mas quem cresce é o mercado ilegal

O que é mais perigoso: o vício em apostas ou a ignorância deliberada do próprio governo sobre um setor que já arrecadou mais de R$ 5 bilhões em 2025?

As declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamando o mercado de apostas de “praga” e “fracasso” causaram um incêndio político e econômico. Mas o que parece ser uma cruzada moral contra o setor legal pode, na prática, estar fortalecendo o mercado ilegal, responsável por R$ 10 bilhões em evasão fiscal por ano.

O ministro que ignora os números

Desde o início da regulamentação do setor de iGaming, R$ 2,3 bilhões em outorgas foram pagos pelas empresas ao governo federal. Some-se a isso R$ 3 bilhões em tributos e contribuições arrecadados somente entre janeiro e maio de 2025.

A estimativa é que o setor regulado injete até R$ 10 bilhões nos cofres públicos até o fim do ano — recurso com destinação obrigatória a áreas como saúde, educação e segurança. Mas o que faz o Ministro? Chama tudo isso de problema.

IBJR e ABFS reagem: “Desrespeito técnico e político”

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acusou Haddad de desinformação institucional e criticou duramente a tentativa de minimizar um setor formal, aprovado pelo Congresso e operado sob supervisão direta do Ministério da Fazenda.

“As falas criam insegurança jurídica, afastam investimentos e fortalecem as operações ilegais que o governo deveria combater”, afirmou o IBJR.

A ABFS (Associação de Bets e Fantasy Sport) foi ainda mais direta:

“Haddad joga contra a economia ao deslegitimar um mercado legal e ignorar os dados fornecidos pelo próprio Ministério.”

Eles também questionam a manipulação de números sobre o suposto valor “perdido” em apostas (R$ 30 bilhões/mês). Segundo a regulamentação, 85% disso retorna aos apostadores — ou seja, as perdas líquidas giram em torno de R$ 4,5 bilhões.

Jogando para a plateia?

A postura do ministro vem sendo vista como parte de uma narrativa populista, que busca um vilão fácil para desviar o foco de reformas estruturais complexas, como a tributária e a administrativa.

“Hoje são as bets. Amanhã, pode ser qualquer outro setor com potencial arrecadatório”, alertou a ABFS.

Quem perde com esse discurso?

  • Empresas sérias, que operam sob rígidos padrões internacionais de compliance.
  • Trabalhadores do setor, que veem a insegurança jurídica crescer.
  • O próprio governo, que pode perder arrecadação para o mercado ilegal.
  • E, claro, os apostadores, que ficarão mais expostos se forem empurrados de volta para sites sem qualquer regulamentação.

🚨 O que está em jogo:

✅ R$ 10 bilhões por ano em arrecadação
✅ Milhares de empregos diretos e indiretos
✅ Proteção ao consumidor com KYC, CPF e rastreio
✅ Credibilidade internacional de um setor emergente


🎯 Apostas não são o problema. O problema é usar um mercado regulado como cortina de fumaça para esconder a falta de política fiscal clara.


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