Mercado ilegal pode dominar 72% das apostas no Brasil até 2026, alerta relatório da Yield Sec

Century Casinos antecipa prejuízo ampliado no último trimestre

Estudo revela que sites clandestinos já movimentam mais dinheiro do que as plataformas regulamentadas, e tendência deve piorar sem ações coordenadas


Apostas ilegais já superam as regulamentadas no país

O mercado de apostas online no Brasil vive uma inversão preocupante. No segundo trimestre de 2025, os sites clandestinos receberam R$ 1,04 para cada R$ 1 apostado em plataformas regulamentadas, segundo o relatório da consultoria Yield Sec.

No primeiro semestre, o setor movimentou R$ 35,5 bilhões, sendo R$ 18,1 bilhões (51%) oriundos de operações ilegais e R$ 17,4 bilhões (49%) de operadores licenciados.

A Yield Sec projeta que, até o fim de 2026, o mercado clandestino pode dominar até 72% das apostas no Brasil, impulsionado por grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2026.


Impacto fiscal bilionário

A perda de arrecadação é alarmante. Entre abril e junho de 2025, o governo deixou de arrecadar de R$ 1,8 a R$ 2,7 bilhões em impostos por causa de sites ilegais.
Em 12 meses, a evasão pode chegar a R$ 10,8 bilhões, segundo estimativas de analistas do setor.

Pesquisas complementares reforçam o alerta:

  • Um estudo da LCA Consultores, em parceria com o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) e o Instituto Locomotiva, mostrou que entre 41% e 51% das apostas no Brasil ocorrem em plataformas não regulamentadas.
  • Segundo levantamento citado pela Agência Brasil, seis em cada dez apostadores utilizaram sites ilegais em 2025.

Por que o mercado clandestino cresce tão rápido?

🔹 Adaptação imediata dos operadores ilegais

Quando um domínio é bloqueado, outro surge quase instantaneamente. Essa agilidade digital torna a fiscalização ineficaz, já que os operadores conseguem recriar sites em minutos, mantendo o fluxo financeiro.

Para enfrentar isso, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, passou a mirar instituições de pagamento e bancos que processam transações ilegais.

A Portaria nº 566/2025 estabeleceu novas regras, proibindo o uso de contas bancárias por sites não autorizados e exigindo controles antifraude das instituições financeiras.

🔹 Publicidade irregular nas redes

Mesmo proibidos, anúncios de apostas ilegais continuam a circular em redes sociais.
Em agosto, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou a Meta (dona do Facebook e Instagram) para remover conteúdos irregulares em até 48 horas e impedir novos impulsionamentos de empresas sem licença.

Em setembro, a SPA, a Anatel e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) firmaram um acordo de cooperação técnica para fortalecer bloqueios e criar um laboratório cibernético de rastreamento de apostas ilegais.


Regulamentação em construção e novos desafios

As apostas de quota fixa foram autorizadas no Brasil pela Lei nº 13.756/2018, mas só ganharam regulamentação efetiva com a Lei nº 14.790/2023, que incluiu jogos online e criou a SPA em janeiro de 2024.

Entre as principais exigências para operadores regulamentados estão:

  • Identificação e prova de vida dos jogadores;
  • Contas bancárias em nome do usuário;
  • Proibição de depósitos em dinheiro ou boleto;
  • Políticas robustas de segurança da informação;
  • Monitoramento de integridade esportiva;
  • Proibição de menores de 18 anos e de apostas em categorias de base.

Mesmo assim, o debate segue aceso. O Projeto de Lei 2842/23, em tramitação, propõe proibir apostas em “lances individuais”, como escanteios e cartões — medida que, segundo especialistas, poderia empurrar apostadores novamente para o mercado ilegal.


Riscos para clubes, patrocínios e integridade esportiva

Se o mercado clandestino continuar crescendo, o futebol brasileiro pode ser um dos mais prejudicados.

De acordo com Ismail Vali, CEO da Yield Sec, se o crime dominar mais de 60% do mercado, os clubes perderão patrocinadores; se atingir 75%, metade dos contratos pode desaparecer.

Atualmente, todos os clubes da Série A têm patrocinadores de apostas — cerca de 90% das empresas do setor ocupam o principal espaço da camisa.
Em agosto de 2025, o Flamengo assinou um contrato recorde de R$ 268,5 milhões com a Betano, superando em muito os valores do patrocínio bancário que recebia cinco anos atrás.

Além do impacto financeiro, há risco direto à integridade esportiva:
casas regulamentadas são obrigadas a reportar suspeitas de manipulação de resultados, enquanto sites ilegais operam sem qualquer controle ou rastreabilidade.


Perfil do apostador vulnerável e a resposta do setor

Um estudo do Banco Central indica que 17% dos beneficiários de programas sociais já realizaram apostas — muitos enviando valores via Pix para sites ilegais.

Outro levantamento do Instituto Locomotiva mostrou que 78% dos apostadores não sabem identificar se um site é regulamentado, e 46% já depositaram dinheiro em plataformas irregulares.

Em resposta, o IBJR lançou a campanha “Chega de bode na sala”, para alertar sobre os riscos das bets ilegais e incentivar o uso de sites regulamentados.


Um cenário que exige ação coordenada

O Brasil vive um momento crítico. O mercado ilegal já superou o legal — e tudo indica que essa diferença tende a crescer.

Mais ilegalidade significa:

  • Menos arrecadação;
  • Risco à integridade esportiva;
  • Erosão da confiança pública.

As medidas atuais — bloqueios de domínios, notificações a redes sociais e restrições financeiras — são importantes, mas ainda fragmentadas.
Sem integração entre órgãos públicos, cooperação internacional e educação do apostador, o jogo continuará desequilibrado — e o mercado clandestino, vitorioso.


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