A recente crise envolvendo o Banco Master, a gestora Reag Investimentos e a fintech Will Bank reacendeu o debate sobre risco sistêmico no sistema financeiro brasileiro e suas possíveis repercussões na economia como um todo. Nos últimos meses, autoridades regulatórias, investidores e agentes do mercado passaram a acompanhar com atenção os desdobramentos desses casos — que, embora oficialmente não sejam classificados como sistêmicos, expõem fragilidades institucionais, falhas de governança e riscos de contágio financeiro.
O episódio ocorre em um momento de maior sensibilidade do mercado a temas como estabilidade financeira, confiança institucional e proteção patrimonial, fatores que influenciam diretamente decisões de investimento no Brasil e no exterior.
Colapso institucional e impacto imediato
Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após constatar que a instituição não apresentava perspectivas de recuperação e enfrentava dificuldades crescentes de liquidez e solvência. A medida encerrou oficialmente suas operações dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Pouco depois, em janeiro de 2026, o Banco Central também determinou a liquidação da Reag Investimentos, gestora responsável por dezenas de fundos e diretamente envolvida em operações com o Banco Master. Parte dessas transações passou a ser investigada por indícios de estruturas opacas e possíveis fraudes de grande escala.
Segundo apurações preliminares, cerca de R$ 11,5 bilhões em operações entre fundos administrados pela Reag e o banco estão sob análise de autoridades fiscais e policiais. O volume e a complexidade dessas transações reforçam a percepção de que falhas de governança e fiscalização contribuíram para o agravamento da crise.
O Will Bank e o risco de contágio financeiro
O caso ganhou uma nova dimensão com o envolvimento do Will Bank, fintech de serviços financeiros digitais adquirida pelo Banco Master em 2024. A instituição, que concentrava bilhões de reais em depósitos de clientes, também entrou no radar dos reguladores.
Recentemente, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, gerando preocupação entre investidores e correntistas sobre a segurança dos depósitos e o potencial de contágio financeiro.
Os efeitos desse movimento extrapolam as empresas diretamente envolvidas. A atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcir depositantes já é considerada uma das maiores da história, com estimativas de desembolsos que podem alcançar dezenas de bilhões de reais — um teste relevante para os mecanismos de proteção ao investidor no Brasil.
Risco sistêmico: percepção do mercado versus discurso regulatório
O conceito de risco sistêmico refere-se à possibilidade de que a falência ou instabilidade de uma instituição provoque efeitos em cascata e comprometa a estabilidade de todo o sistema financeiro.
Apesar das preocupações crescentes, autoridades regulatórias têm reiterado que o caso, no momento, não representa uma ameaça sistêmica ao SFN. O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), vinculado ao Banco Central, avaliou que o conglomerado afetado representa menos de 1% dos ativos totais do sistema financeiro brasileiro, o que, em tese, limitaria impactos mais amplos.
Ainda assim, especialistas alertam que os efeitos vão além dos números. Confiança é um ativo central nas finanças. Escândalos dessa natureza tendem a:
- elevar o custo de capital
- reduzir o apetite por risco no mercado doméstico
- pressionar o câmbio
- impactar a percepção de risco-país
Conexões perigosas e as lições para o Brasil
A combinação de engenharia financeira agressiva, lacunas de governança e interdependência entre instituições revela vulnerabilidades estruturais do sistema. Embora bancos, gestoras e fintechs cumpram papéis distintos, suas operações cruzadas podem propagar riscos de forma não linear — um dos principais vetores do risco sistêmico.
Esse episódio ocorre em um momento em que investidores brasileiros vêm ampliando sua exposição a mercados internacionais, não apenas em busca de retorno, mas como estratégia de diversificação e proteção patrimonial.
Mercados mais líquidos, estruturas regulatórias mais previsíveis e maior transparência institucional têm atraído investidores que buscam reduzir riscos concentrados no ambiente doméstico.
Dolarização parcial e acesso a mercados globais
A crise recente reforça argumentos de analistas que defendem a dolarização parcial de portfólios e uma maior educação financeira voltada para o entendimento de mercados globais.
Em economias maduras, a interação entre ativos, políticas monetárias e estruturas regulatórias costuma ser mais transparente, permitindo uma leitura mais clara dos riscos. Isso não significa abandonar o mercado brasileiro, mas reduzir dependência de um único sistema institucional.
Nesse contexto, aprender sobre investimentos internacionais passa a ser menos uma questão de rentabilidade e mais uma decisão estratégica de gestão de risco, preservação patrimonial e liberdade financeira.
Um novo ciclo de atenção ao risco
O episódio envolvendo Banco Master, Reag e Will Bank marca um ponto de inflexão no debate sobre estabilidade financeira no Brasil. Mesmo que as autoridades neguem risco sistêmico imediato, o impacto sobre a confiança é real — e duradouro.
Em cenários como este, investidores mais preparados tendem a adotar três princípios:
1️⃣ Diversificação geográfica
2️⃣ Acesso a ativos globais
3️⃣ Estruturas mais robustas de proteção patrimonial
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