Moral no palanque, bilhões no cofre

A charge da semana, assinada por Jackson Ramirez, não é exagero. É retrato.
E como todo bom retrato incômodo, ela não acusa nomes — expõe o sistema.

Em ano eleitoral, o roteiro se repete: no microfone, o político brada contra as bets, vende indignação moral e promete “combater esse mal”. Nos bastidores, longe das câmeras e dos aplausos, o mesmo Estado conta o dinheiro. Muito dinheiro.

Os números não mentem — e nem pedem desculpas.
Segundo o Panorama Periódico do mercado regulado de apostas de quota fixa de 2025, divulgado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), o setor gerou cerca de R$ 9,95 bilhões em arrecadação federal em 2025. O GGR ultrapassou R$ 36,9 bilhões. Um “mal” extremamente eficiente quando o assunto é encher cofres públicos.

A charge escancara essa esquizofrenia institucional:
🔊 discurso moral para a plateia,
💰 pragmatismo arrecadatório nos bastidores.

Não se trata de defender ou atacar as apostas. Trata-se de honestidade intelectual. Se o jogo é tratado como vilão no discurso, por que é tratado como solução no orçamento? Se “destrói famílias”, por que sustenta esporte, turismo, segurança pública e seguridade social?

A coletânea de charges e tirinhas da Gaming365 nasce exatamente para isso: tirar o verniz do debate e mostrar as engrenagens por trás da narrativa. Onde a moral muda conforme o calendário eleitoral e a ética costuma perder para a arrecadação.

📎 Para entender o tamanho da contradição, acesse os dados oficiais:
👉 Panorama Periódico do mercado regulado de apostas de quota fixa

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