Bolsa em recorde histórico enquanto fiscal volta ao centro do debate

Bolsa em Recorde, Fiscal em Alerta

Referência: The Jordaky Carlos Jordaky

Os mercados globais atravessam um dia de contrastes claros. No exterior, o fim do shutdown nos Estados Unidos remove um risco político imediato, mas reacende questionamentos estruturais sobre os gastos das big techs com inteligência artificial. No Brasil, o rali da bolsa ganha força com a consolidação da expectativa de corte de 0,50 ponto percentual da Selic, enquanto o fiscal volta ao centro das atenções após a aprovação de novos gastos permanentes.

É um ambiente em que juros mais baixos impulsionam os ativos, mas a sustentabilidade das contas públicas começa a preocupar.


Estados Unidos: fim do shutdown, cautela permanece

A Câmara dos EUA aprovou, e Donald Trump sancionou, o projeto que encerrou a paralisação parcial do governo, eliminando um fator de estresse de curto prazo para os mercados.

Ainda assim, Wall Street fechou em queda, refletindo preocupações mais profundas:

  • Investimentos elevados em inteligência artificial
  • Aumento do endividamento corporativo
  • Dúvidas sobre o retorno marginal desses gastos no longo prazo

As perdas se concentraram nas gigantes de tecnologia:

  • Nvidia: -2,84%
  • Microsoft: -2,87%
  • Meta: -2,08%
  • Oracle: -3,37%

O Nasdaq caiu 1,43%, o S&P 500 recuou 0,84%, enquanto o Dow Jones teve queda mais moderada (-0,34%), sinalizando rotação parcial para setores defensivos.


Balanços de tecnologia no radar

O principal evento do dia em Nova York é o balanço da Alphabet (Google), divulgado após o fechamento. O mercado aguarda:

  • Lucro estimado de US$ 2,63 por ação
  • Forte atenção ao guidance de gastos com IA

No after market, o setor já mostrou sinais de fadiga. A AMD despencou quase 8%, mesmo com lucro e receita acima do consenso. Analistas avaliam que boa parte das boas notícias já estava precificada, após alta de 112% em 12 meses.


Dados globais: Ásia resiliente, Europa no radar

Os PMIs de serviços divulgados mostraram resiliência na Ásia:

  • China (S&P Global): PMI de serviços em 52,3, maior nível em três meses
  • Japão: PMI composto avançou para 53,1, reforçando expansão

Na Europa, os investidores acompanham:

  • CPI de janeiro
  • PMIs de serviços da Alemanha, Reino Unido e Zona do Euro

Brasil: Ibovespa renova máximas, fiscal preocupa

O Ibovespa voltou a registrar recorde histórico, refletindo o forte apetite por risco:

  • Fechamento: +1,58%, aos 185.674 pontos
  • Máxima intraday: 187.333 pontos

Os principais vetores do movimento foram:

  • Consolidação da aposta em corte de 0,50pp da Selic em março
  • Forte entrada de capital estrangeiro
  • Avaliação de que o Brasil segue barato em termos relativos

Casas de análise revisaram suas projeções:

  • XP: alvo de 190 mil pontos em 2026
  • Eleven Financial: 195 mil pontos
  • Daycoval: não descarta 200 mil pontos

Na contramão, o Bank of America (BofA) alerta para um nível próximo de bolha, especialmente se o fiscal continuar se deteriorando.


Juros, Selic e câmbio: mercado confiante

A ata do Copom, ao não confrontar explicitamente a expectativa de corte mais agressivo, foi interpretada como um sinal verde implícito:

  • Probabilidade de corte de 0,50pp em março: 92%
  • Produção industrial caiu 1,2% em dezembro, reforçando sinais de enfraquecimento do PIB
  • Inflação estimada em 3,4%, convergindo para a meta

Na curva de juros:

  • DI Jan/27: 13,435%
  • DI Jan/29: 12,740%

No câmbio:

  • Dólar caiu para R$ 5,25
  • Mercado comenta possibilidade de teste em R$ 5,00
  • Diferencial de juros segue sustentando o carry trade

Balanços no Brasil

O Santander Brasil antecipou resultados:

  • Lucro de €579 milhões no trimestre
  • Carteira de crédito em alta
  • Ganhos de eficiência operacional

O Itaú divulga balanço após o fechamento, com expectativa de lucro acima de R$ 12 bilhões.
O Bradesco publica seus números amanhã.


Riscos geopolíticos voltam ao radar

O cenário internacional também exige atenção:

  • Tensões entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
  • Ataque russo descrito por Zelensky como o mais potente do ano

O petróleo reagiu, mas ainda sem prêmio explosivo, mantendo o risco geopolítico como fator de atenção — não de pânico.


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