BetMGM cresce fora dos EUA: Apostas online sustentam resultados da MGM

BetMGM Cash, crescimento de Macau compensa a suavidade de Vegas

Os negócios da MGM Resorts em Las Vegas continuaram sob pressão no quarto trimestre, mas a empresa deixou claro que já não depende exclusivamente da Strip para sustentar seus resultados. Em vez disso, o crescimento da BetMGM e a forte recuperação de Macau compensaram a fraqueza doméstica, garantindo um fechamento de 2025 melhor do que o esperado.

Esse equilíbrio ficou evidente na teleconferência de resultados, onde os executivos evitaram falar em “recuperação” de Las Vegas e preferiram o termo “estabilização”. Ao mesmo tempo, destacaram a rentabilidade do digital e a expansão na China como os principais motores do crescimento do EBITDA no trimestre.

Para quem acompanha a trajetória da empresa ao longo do ano, o quarto trimestre parece menos uma virada abrupta e mais a consolidação de uma mudança estratégica em curso: o digital amadureceu, a BetMGM passou a gerar caixa e as operações internacionais ganharam peso real no lucro.


Resultados do quarto trimestre superam expectativas

A MGM entregou um desempenho sólido no quarto trimestre, com crescimento em receita, lucro e EBITDA, mesmo com Las Vegas ainda pressionada.

A empresa reportou receita líquida consolidada de US$ 4,6 bilhões, alta de 6% na comparação anual, e lucro líquido de US$ 294 milhões. O EBITDA ajustado consolidado alcançou US$ 635 milhões, avanço de 20%, enquanto o lucro por ação ajustado ficou em US$ 1,60.

Os números superaram com folga as expectativas do mercado, que projetava cerca de US$ 4,44 bilhões em receita e um EPS ajustado próximo de US$ 0,64 — uma das maiores surpresas positivas do ano para a companhia.

O CEO Bill Hornbuckle resumiu o trimestre como um reflexo direto da diversificação do grupo:

“A MGM Resorts voltou a demonstrar os benefícios de uma estratégia operacional diversificada, entregando crescimento de 20% no EBITDA ajustado mesmo diante dos ventos contrários em Las Vegas.”


2025: estabilidade com fontes de crescimento fora da Strip

No acumulado de 2025, os números reforçam que o desempenho do quarto trimestre não foi um ponto fora da curva.

A MGM encerrou o ano com US$ 17,5 bilhões em receita, crescimento de 2%, e EBITDA ajustado de US$ 2,43 bilhões, alta de 1%. O lucro por ação ajustado subiu para US$ 3,31, ante US$ 2,59 no ano anterior.

O crescimento modesto reflete uma dinâmica clara: Las Vegas segue mais fraca, enquanto Macau, mercados regionais e o digital sustentam os resultados.

A divisão por segmento deixa essa diferença evidente:

Las Vegas Strip: EBITDAR de US$ 2,86 bilhões, queda de 8%
MGM China (Macau): EBITDAR de US$ 1,20 bilhão, alta de 11%
Mercados regionais: EBITDAR de US$ 1,16 bilhão, crescimento de 2%
Digital: prejuízo de US$ 90 milhões, maior que no ano anterior

Em resumo, Vegas continua sendo o ponto de pressão, enquanto Macau e os mercados fora da Strip carregam cada vez mais o desempenho do grupo.


A virada ao longo do ano: do prejuízo digital ao caixa da BetMGM

O quarto trimestre coroou uma evolução que vinha se desenhando desde meados de 2025.

No segundo trimestre, o digital ainda era um investimento em construção. A BetMGM começava a mostrar sinais iniciais de rentabilidade, mas o segmento online consolidado ainda operava no vermelho, enquanto Las Vegas enfrentava reformas e queda de fluxo.

No terceiro trimestre, a BetMGM passou a gerar EBITDA positivo, cerca de US$ 41 milhões, mas esse avanço foi ofuscado pela piora mais acentuada da Strip.

Já no quarto trimestre, o cenário mudou de forma mais clara. A BetMGM manteve a rentabilidade e começou a devolver caixa, distribuindo cerca de US$ 270 milhões para seus controladores. Ao mesmo tempo, Macau acelerou e as quedas em Las Vegas perderam força.

Segundo o CFO Jonathan Halkyard:

“O negócio da BetMGM continua crescendo de forma lucrativa, com distribuições que agora representam um novo fluxo recorrente de caixa para a empresa.”


Las Vegas: ainda fraca, mas parando de piorar

Os números mostram que a Strip segue em retração na comparação anual, mas com melhora sequencial.

No terceiro trimestre, a receita ficou em US$ 1,99 bilhão, queda de 7%, e o EBITDAR recuou 18%. No quarto trimestre, a receita subiu para US$ 2,17 bilhões, com queda menor de 3%, enquanto o EBITDAR caiu apenas 4%.

A administração evita falar em retomada. O discurso é de estabilização gradual, não de recuperação.

“Encerramos 2025 com Las Vegas mostrando sinais de estabilização e uma trajetória de melhora”, afirmou Hornbuckle.


Macau assume protagonismo no crescimento

Se Las Vegas ainda inspira cautela, Macau é o destaque absoluto do portfólio.

No quarto trimestre, a MGM China registrou US$ 1,24 bilhão em receita, crescimento de 21%, e EBITDAR de US$ 334 milhões, alta de 31%. A empresa destacou ganhos de participação de mercado e expansão de margens, em um tom bem mais confiante do que o adotado para a Strip americana.


Mercado financeiro segue cauteloso

A reação dos analistas refletiu esse equilíbrio entre pontos fortes e fragilidades.

Instituições como Stifel, JPMorgan, Bank of America e Citizens Financial mantiveram avaliações neutras ou cautelosamente positivas, reconhecendo a evolução do digital e de Macau, mas ainda vendo Las Vegas como a principal variável de risco.

Essa leitura também se refletiu no mercado. Apesar do resultado forte, as ações da MGM fecharam o dia em queda de 1,76%, a US$ 36,28, recuperando levemente na sessão seguinte. O movimento indica que o trimestre foi visto como sólido, mas não transformador.


Conclusão

A mensagem da MGM é pragmática. Las Vegas continua lucrativa, porém pressionada, enquanto a BetMGM e Macau assumem um papel cada vez mais relevante no resultado consolidado.

A trajetória ao longo de 2025 deixa isso claro: prejuízo digital no início do ano, rentabilidade no meio e geração efetiva de caixa no fim. Essa mudança reduziu a dependência da Strip e fortaleceu a diversificação do grupo.

Para investidores e analistas, a diversificação funciona como um amortecedor importante — mas, até que Las Vegas volte a crescer de forma consistente, a cautela deve seguir como o tom dominante.


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