O presidente Lula (PT) voltou a criticar os sites de apostas durante um evento realizado nesta segunda-feira (9) em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Embora a cerimônia tivesse como foco o anúncio de investimentos do governo federal nas áreas de saúde e educação, o presidente abordou diversos temas em seu discurso e voltou a demonstrar preocupação com o avanço das plataformas de apostas no país.
“Eu aprendi a ser contra jogos de azar. Eu era contra cassino e jogo do bicho porque a igreja me ensinava que tinha que ser contra jogo de azar. O que está acontecendo, hoje, é que o cassino foi pra dentro das casas. Está na sala, na mão dos filhos de vocês”, disse Lula. “Vamos tomar uma atitude muito séria contra as ‘bets’. Elas estão tomando o dinhero do povo pobre desse país”, completou Lula.

Nos últimos meses, o presidente Lula e membros do governo vem criticando o avanço do mercado no país, através de discursos e campanhas de marketing, como a “Taxação do BBB (Bilionários, Bancos e Bets)”, lançada em 2025 que conta com o apoio da base do partido.
A preocupação apresentada pelo governo é com o impacto social das apostas esportivas e jogos online, especialmente entre jovens e pessoas de baixa renda. O tema vem sendo debatido internamente no Executivo, que analisa medidas complementares à regulamentação do setor, sancionada em 2023.
Além disso, o governo federal prepara novas regras para restringir o acesso de jovens a conteúdos online considerados prejudiciais, incluindo jogos de azar. Segundo minuta de decreto obtida pela Bloomberg News, a proposta prevê que plataformas digitais e lojas de aplicativos implementem sistemas de verificação de idade para impedir o acesso de menores a apostas, pornografia, serviços de acompanhantes, bebidas alcoólicas, aplicativos de namoro e armas.
O texto faz parte da implementação de uma lei aprovada em 2025 que entrará em vigor em março, voltada à proteção de crianças e adolescentes na internet. O decreto, segundo fontes do governo, deve ser publicado até o fim de fevereiro, embora o conteúdo ainda esteja em discussão.
O documento também proíbe que plataformas usem apenas a idade autodeclarada e prevê que o governo desenvolva um sistema próprio de verificação de idade, com salvaguardas de privacidade — impedindo o rastreamento da identidade ou do histórico de navegação dos usuários.