Mercado do Super Bowl na Kalshi movimenta quase US$ 900 milhões, com US$ 500 milhões apostados apenas no vencedor

Negociação do Kalshi Super Bowl chega a US$ 900 milhões, US$ 500 milhões no vencedor

A negociação do Super Bowl na plataforma americana Kalshi alcançou quase US$ 900 milhões em volume financeiro, consolidando o evento como um dos maiores exemplos do crescimento dos mercados de previsão ligados ao entretenimento esportivo.

Do total negociado, mais de US$ 500 milhões foram concentrados apenas no mercado que previa o vencedor da partida. Outros US$ 400 milhões vieram de mercados paralelos, que envolveram desde a música de abertura do show do intervalo até artistas participantes, anunciantes e o MVP do jogo.

Para o público brasileiro, vale destacar: a Kalshi não opera como uma casa de apostas tradicional, mas como uma exchange de previsões, onde os usuários negociam contratos baseados em eventos futuros, de forma semelhante a um mercado financeiro.


Mercado do vencedor concentrou a maior liquidez

O contrato que previa o resultado entre Seattle Seahawks x New England Patriots dominou amplamente o volume negociado. O Seattle apareceu como favorito durante praticamente todo o período, com probabilidades médias em torno de 67% contra 33%.

O crescimento do volume foi gradual ao longo do domingo, mas acelerou fortemente nas horas que antecederam o início do jogo:

  • 05h30 (ET) – cerca de US$ 199 milhões
  • 09h30 (ET) – cerca de US$ 201 milhões
  • 13h00 (ET) – cerca de US$ 211 milhões
  • 16h30 (ET) – pouco mais de US$ 301 milhões
  • 17h50 (ET) – cerca de US$ 326 milhões
  • Liquidação final – US$ 500,17 milhões

O pico de negociações próximo ao kickoff e durante o jogo causou instabilidades técnicas na plataforma. A fundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, confirmou os problemas publicamente na rede X (antigo Twitter).


Música de abertura do show do intervalo vira mercado milionário

Um dos mercados mais curiosos — e mais negociados — foi o da primeira música tocada no show do intervalo, que sozinho movimentou US$ 113,5 milhões.

A música “Tití Me Preguntó”, de Bad Bunny, acabou sendo liquidada como vencedora, mas o caminho até a definição foi marcado por rumores e forte volatilidade:

  • 09h20 (ET) – US$ 38 milhões
  • 13h00 (ET) – US$ 47 milhões
  • 15h30 (ET) – US$ 58 milhões
  • 16h30 (ET) – US$ 68 milhões
  • Liquidação – US$ 113,52 milhões

Rumores divulgados por influenciadores de apostas nos EUA chegaram a impulsionar a música “Chambea”, que saltou de 2% para mais de 20% de probabilidade em poucas horas, antes de recuar após correções públicas.

O episódio mostra como, em mercados de previsão, boatos e redes sociais podem impactar diretamente o comportamento dos traders.


MVP e anunciantes adicionam mais de US$ 124 milhões

O mercado de anunciantes do Super Bowl foi o segundo maior entre os mercados de entretenimento, movimentando cerca de US$ 72,2 milhões.

Empresas como Pepsi, Gemini e Him & Hers chegaram a negociar acima de 95% de probabilidade de exibição. Já marcas como Netflix e Amazon Prime oscilaram bastante até momentos antes do jogo.

Outro mercado relevante foi o de MVP da partida, que somou aproximadamente US$ 52,2 milhões em negociações.

Antes do jogo:

  • Sam Darnold (QB, Seahawks) liderava com cerca de 44%
  • Drake Maye (QB, Patriots) vinha em seguida, com cerca de 27%
  • Kenneth Walker III (RB, Seahawks) aparecia com cerca de 8%

Artistas do intervalo movimentam US$ 47 milhões e geram debate regulatório

O mercado “Quem vai se apresentar além de Bad Bunny?” acumulou cerca de US$ 47,3 milhões em volume negociado.

Artistas como Lady Gaga e Ricky Martin, com participação confirmada, mantiveram probabilidades acima de 70% durante o dia. Já Cardi B e Karol G geraram controvérsia.

Ambas apareceram no palco durante o show, mas não cantaram nem se apresentaram musicalmente, o que levantou dúvidas sobre elegibilidade segundo as regras da Kalshi. Após esclarecimento regulatório, as negociações nesses contratos foram suspensas antes da liquidação final.

O caso ilustra um ponto central dos mercados de previsão: não se aposta apenas no evento, mas também na interpretação das regras.


Apostas tradicionais têm participação menor

Apesar do volume recorde geral, os mercados mais tradicionais — semelhantes às apostas esportivas convencionais — tiveram participação relativamente menor, somando cerca de US$ 66 milhões.

Os contratos mais negociados foram:

  • Jogador que marca touchdown a qualquer momento – US$ 14,8 milhões
  • Primeiro touchdown do jogo – US$ 10,8 milhões
  • Combinações de resultado e totais – US$ 8,9 milhões

Esse comportamento contrasta com casas de apostas tradicionais, onde as estatísticas de jogadores costumam dominar o volume.


Volume total negociado no Super Bowl (Kalshi)

  • Vencedor do jogo: ~US$ 500,17 milhões
  • Música de abertura: ~US$ 113,5 milhões
  • Anunciantes: ~US$ 72,2 milhões
  • MVP: ~US$ 52,2 milhões
  • Artistas do intervalo: ~US$ 47,3 milhões
  • Outros mercados: ~US$ 118,5 milhões

Total aproximado: US$ 903,9 milhões


O que isso revela sobre o mercado

Em dias normais, os resultados esportivos dominam os mercados de previsão. No entanto, eventos globais como o Super Bowl invertem essa lógica.

Mercados ligados a entretenimento, rumores e narrativa atraem mais liquidez do que estatísticas esportivas puras. Por uma noite, a Kalshi funcionou menos como uma plataforma de apostas esportivas e mais como um mercado financeiro de eventos, refletindo a evolução do comportamento do apostador moderno.


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