Illinois quer revogar imposto por aposta após queda de 27,6 milhões em bilhetes de apostas

Legisladores de Illinois decidem revogar o imposto por aposta após declínio de 27,6 milhões de apostas

Legisladores do estado de Illinois, nos Estados Unidos, apresentaram um projeto de lei para revogar o imposto cobrado por aposta nas apostas esportivas, após uma queda expressiva no volume de bilhetes registrados nos últimos meses.

O deputado Daniel Didech protocolou o House Bill 5143, que propõe o fim da taxa de US$ 0,25 por aposta nas primeiras 20 milhões de apostas e US$ 0,50 acima desse volume. A medida surge após dados oficiais indicarem que o mercado processou 27,6 milhões de apostas a menos entre setembro e dezembro, na comparação anual.

Apesar da queda no número de apostas, o valor movimentado (handle) permaneceu relativamente resiliente em parte do período, indicando que apostadores passaram a fazer menos apostas, porém com valores maiores.


Queda consistente no volume de apostas

Dados do Illinois Gaming Board mostram quatro meses consecutivos de retração no número de apostas:

Setembro

  • 2024: 33,6 milhões de apostas
  • 2025: 28,5 milhões
  • Variação: –15%
  • Volume financeiro: +9,2% ano contra ano

Outubro

  • 2024: 38,1 milhões
  • 2025: 32,1 milhões
  • Variação: –16%
  • Volume financeiro: +11%

Novembro

  • 2024: 40,1 milhões
  • 2025: 33,9 milhões
  • Variação: –15%
  • Volume financeiro: +8,1%

Dezembro

  • 2024: 38,4 milhões
  • 2025: 28,8 milhões
  • Variação: –25%
  • Volume financeiro: –3,4%

Somados, os quatro meses representam 27,6 milhões de apostas a menos em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, o estado registrou queda de aproximadamente 4,1% no total anual de apostas — um movimento incomum entre grandes mercados regulamentados nos EUA.

A redução impactou também a arrecadação, com estimativas apontando cerca de US$ 6,9 milhões a menos em receitas fiscais no período analisado.


Operadoras repassaram custos aos apostadores

O imposto por aposta foi o segundo aumento tributário em dois anos. Em 2024, Illinois já havia substituído a taxa fixa de 15% sobre a receita bruta por uma estrutura progressiva, elevando a carga de grandes operadoras como FanDuel e DraftKings para até 40%.

Após a criação da taxa por bilhete, diversas empresas adotaram sobretaxas ou elevaram o valor mínimo das apostas:

Sobretaxas por aposta:

  • FanDuel e DraftKings: US$ 0,50
  • Fanatics e Caesars: US$ 0,25
  • bet365: US$ 0,25 em apostas abaixo de US$ 10

Novos valores mínimos de aposta:

  • theScore: US$ 1
  • Hard Rock Bet: US$ 2
  • BetMGM: US$ 2,50
  • BetRivers: US$ 5
  • Circa: US$ 10

A mudança afetou principalmente apostadores recreativos de menor ticket médio, reduzindo o número total de apostas realizadas.


Debate político e imposto municipal

Além do projeto para revogar a taxa estadual, Didech apresentou o HB4171, que busca impedir que municípios criem seus próprios impostos sobre apostas esportivas.

O tema ganhou força após o prefeito de Chicago, Brandon Johnson, aprovar um imposto municipal de 10,25% sobre a receita das apostas esportivas, válido desde 1º de janeiro de 2026.

A Sports Betting Alliance (SBA), que representa grandes operadoras, classificou a situação como “um cenário em que todos perdem” e entrou com ações judiciais contra a cidade.


Paralelo com o Brasil: alerta sobre carga tributária elevada

O caso de Illinois levanta um debate relevante para o mercado brasileiro de apostas esportivas e iGaming.

No Brasil, a regulamentação federal estabelece:

  • 12% sobre a receita bruta (GGR) para operadores
  • Tributação adicional sobre premiações
  • Custos elevados de licença e exigências regulatórias

Estados e municípios também discutem formas de ampliar arrecadação, o que pode elevar ainda mais a carga total.

A experiência de Illinois sugere que aumentos sucessivos de impostos podem:

  • Reduzir o número de apostas
  • Incentivar operadores a repassar custos ao consumidor
  • Diminuir competitividade frente ao mercado não regulado
  • Impactar a arrecadação no médio prazo

Embora o volume financeiro possa se manter temporariamente, a queda na participação indica possível retração do mercado recreativo — justamente o público mais sensível a custos adicionais.

Para o Brasil, que ainda consolida seu mercado regulado, o equilíbrio entre arrecadação e sustentabilidade operacional pode ser decisivo para evitar migração de jogadores para plataformas offshore.

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