Publicidade de Bets Elevou Apostas na Copa do Mundo, Diz Estudo

IBIA

A publicidade de apostas esportivas na televisão teve um impacto “significativo” no comportamento dos apostadores durante a Copa do Mundo da FIFA 2022, segundo um estudo da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

A pesquisa, publicada na revista científica Addictive Behaviors Reports, concluiu que telespectadores expostos a anúncios de jogos de azar tiveram:

  • 22% a 33% mais probabilidade de realizar apostas
  • 16% a 24% mais frequência de apostas
  • Maior volume geral de atividade de jogo

Os resultados reacendem o debate sobre regulação da publicidade de apostas, especialmente em grandes eventos esportivos com alta audiência.


Como o estudo foi conduzido

Os pesquisadores analisaram o comportamento de apostadores durante partidas transmitidas por dois canais britânicos:

  • ITV – exibia anúncios de apostas
  • BBC – não exibia anúncios de apostas

A pergunta central foi:

Há mais apostas ao vivo (“in-play”) quando o jogo é transmitido por um canal com publicidade de apostas?

Metodologia

  • 396 homens, entre 18 e 45 anos, com hábito de apostar em futebol
  • 365 participantes concluíram o estudo
  • Monitoramento diário durante o período da Copa do Mundo

O resultado mostrou um aumento estatisticamente relevante nas apostas quando havia exposição à publicidade.

Segundo a pesquisadora Ellen McGrane:

“Esses anúncios podem atuar como gatilhos poderosos durante jogos ao vivo, incentivando apostas mesmo entre pessoas que não tinham intenção prévia de apostar.”


Publicidade de apostas no Reino Unido: já existe restrição

O Reino Unido possui a chamada regra do “apito a apito” (“whistle-to-whistle ban”):

  • Proíbe anúncios de apostas 5 minutos antes do início do jogo
  • Proíbe anúncios até 5 minutos após o término
  • Durante o jogo, apenas anúncios de loteria e bingo são permitidos

Mesmo com essa limitação, o estudo sugere que os anúncios exibidos fora da janela restrita ainda impactam significativamente o comportamento dos apostadores.

Os autores defendem que as regras atuais podem ser insuficientes para proteger grupos de maior risco.


Impacto não é apenas troca de plataforma — é aumento do volume total

Um dos pontos mais relevantes do estudo foi a constatação de que a publicidade:

  • Não apenas migra apostadores entre operadores
  • Mas aumenta o volume total de apostas realizadas

Isso é importante do ponto de vista regulatório, porque reforça a relação entre:

  • Maior exposição à publicidade
  • Maior participação em apostas
  • Potencial aumento de riscos associados ao jogo problemático

Os pesquisadores ressaltam que, historicamente, quando a participação em jogos aumenta em nível populacional, também crescem os indicadores de danos relacionados ao jogo.


E o que isso significa para o Brasil?

Com a regulamentação das apostas esportivas já em vigor no Brasil, o debate sobre publicidade de bets, patrocínio esportivo e exposição em grandes eventos deve ganhar cada vez mais força.

Atualmente, o mercado brasileiro apresenta:

  • Forte presença de marcas de apostas em transmissões esportivas
  • Patrocínio massivo a clubes e campeonatos
  • Inserções comerciais em TV aberta, TV fechada e plataformas digitais

Diferentemente do Reino Unido, o Brasil ainda não possui uma restrição equivalente ao modelo “apito a apito”.

O estudo internacional levanta alguns pontos estratégicos para o mercado brasileiro:

🔎 Para reguladores

  • Avaliar o impacto real da publicidade em eventos de grande audiência
  • Equilibrar arrecadação, patrocínio esportivo e proteção ao consumidor

🏢 Para operadores

  • Reforçar políticas de jogo responsável
  • Investir em comunicação ética e transparente
  • Antecipar possíveis mudanças regulatórias

⚽ Para clubes e mídia

  • Considerar possíveis ajustes futuros na exposição de marcas de apostas

Regulação mais rígida pode reduzir danos?

Os próprios autores reconhecem limitações no estudo — como a amostra específica (homens de 18 a 45 anos) e possíveis vieses de memória. Ainda assim, defendem que o desenho metodológico oferece evidências relevantes para formulação de políticas públicas.

Segundo McGrane:

“Pode ser necessária uma regulamentação mais rígida da publicidade de jogos de azar durante esportes ao vivo, especialmente antes de eventos altamente televisionados como a Copa do Mundo.”


O debate está apenas começando

A pesquisa reforça um ponto central no mercado global de iGaming:
publicidade influencia comportamento.

Para mercados em expansão, como o brasileiro, o desafio será encontrar o equilíbrio entre:

  • Crescimento econômico
  • Sustentabilidade do setor
  • Proteção ao consumidor
  • Estabilidade regulatória

Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando e o mercado brasileiro ainda em fase de consolidação, o tema deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses.

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