A Coinbase — corretora de criptomoedas listada na NASDAQ (ticker: COIN) — colocou os mercados de previsão no centro da sua estratégia de crescimento para 2026. A empresa quer ir além da cripto e virar uma “exchange de tudo”, oferecendo ações, commodities e contratos de eventos no mesmo app. O movimento, porém, já enfrenta processos judiciais e resistência de reguladores estaduais nos EUA.
Parceria com a Kalshi e plano de ter plataforma própria
A Coinbase lançou os mercados de previsão no fim de 2025 em parceria com a Kalshi. A empresa deixou claro que a parceria não é exclusiva e que pode criar seus próprios mercados no futuro.
Outras gigantes seguem caminho parecido:
- Robinhood****: prepara a plataforma própria (Rothera) via JV com a Susquehanna.
- DraftKings:** comprou a Railbird Exchange para ter sua própria infraestrutura.
Leitura do mercado: grandes players querem controle total da tecnologia e menos dependência de parceiros.
Batalha regulatória em vários estados
Logo após o lançamento, a Coinbase entrou com ações contra Illinois, Michigan e Connecticut, defendendo que contratos de eventos esportivos devem ser regulados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), e não pelas leis estaduais de jogos.
Já em Nevada, o Nevada Gaming Control Board acusa a Coinbase de operar apostas esportivas sem licença. Casos semelhantes atingem Crypto.com e a própria Kalshi, com bloqueios geográficos em alguns estados.
Risco: se os estados vencerem, os mercados de previsão podem ser enquadrados como apostas, mudando totalmente o jogo regulatório.
Super Bowl acelerou a adoção
A Coinbase aproveitou o Super Bowl para dar visibilidade ao produto, com um comercial viral (polêmico, mas muito comentado). O CEO Brian Armstrong disse que o evento foi o “primeiro contato” de muita gente com os mercados de previsão.
Estratégia: usar marketing de massa para atrair usuários e depois converter para novos produtos dentro do app.
Números do 4º trimestre (resumo)
- Receita total: US$ 1,8 bi
- Receita de transações: US$ 983 mi
- Assinaturas e serviços: US$ 727 mi
- EBITDA ajustado: US$ 566 mi
- Caixa: US$ 11,3 bi
A empresa reforça que diversificar além da cripto ajuda a reduzir a volatilidade do negócio.
O que vem pela frente
Com os mercados de previsão ativos nos 50 estados, os próximos meses devem definir se esses produtos serão tratados como derivativos financeiros (CFTC) ou apostas (leis estaduais). O resultado pode viabilizar ou travar a estratégia da Coinbase para 2026.
Resumo direto ao ponto: a Coinbase quer crescer com mercados de previsão, surfou a visibilidade do Super Bowl, mas entrou num campo minado regulatório. Se vencer a disputa jurídica, abre um novo mercado bilionário; se perder, terá que redesenhar o produto nos EUA.