Com a sessão legislativa de 2026 em andamento, os Estados Unidos vivem dois movimentos claros no setor de jogos e apostas: expansão dos mercados regulamentados e aperto contra plataformas ilegais (incluindo sweepstakes). Estados como Maryland, Alabama, Virgínia e Dakota do Sul avançam na liberação e modernização do iGaming e das apostas esportivas, enquanto outros reforçam a fiscalização e até revêm impostos que impactaram o volume de apostas.
Expansão do iGaming e das apostas
Maryland: Câmara entra na briga pelo iGaming
Depois do avanço no Senado, a Câmara de Maryland protocolou novos projetos para legalizar cassinos online (iGaming) e levar o tema a referendo popular.
Por que importa: Maryland é um dos maiores mercados “travados” da Costa Leste, entre Nova Jersey e Pensilvânia, que já operam iGaming com força total. Se liberar, vira um mercado bilionário em potencial.
Alabama: loteria estadual volta à pauta
Dois projetos de lei avançaram para criar loteria estadual e um órgão regulador.
Por que importa: o Alabama é um dos poucos estados dos EUA sem loteria. Em ano eleitoral, qualquer mudança constitucional pode ir a voto em novembro. Mesmo assim, a resistência política ainda é grande.
Virgínia: pacote de jogos avança no Senado
Projetos sobre iGaming, fantasy sports diário, jogos de habilidade e até cassino em Fairfax County caminham para votação no Senado.
Por que importa: mostra apetite real para expandir e ajustar o mercado regulado da Virgínia. Se aprovados, seguem para a Câmara — passo importante rumo à liberação.
Dakota do Sul: aposta esportiva online em plebiscito
O Senado aprovou levar aos eleitores a decisão sobre liberar apostas esportivas mobile em todo o estado (hoje restritas a cassinos físicos).
Por que importa: em Dakota do Sul, liberar mobile aumenta alcance e receita com baixo custo de infraestrutura.
Illinois: possível fim do “imposto por aposta”
Um projeto quer revogar a taxa fixa cobrada por aposta realizada (independente do resultado).
Por que importa: após o imposto, operadoras criaram sobretaxas e apostas mínimas — e o volume caiu. Em Illinois, a revogação pode recuperar competitividade e tráfego.
Repressão a ilegais e sweepstakes
Indiana: proibição de cassinos “sweepstakes” avança
Projeto que veta cassinos de moeda dupla (sweepstakes) passou em comitê no Senado.
Por que importa: fecha brechas contra plataformas do “mercado cinza” em Indiana.
Flórida: aperto contra jogos ilegais (online e presenciais)
Projetos avançam para combater fliperamas ilegais e plataformas online não licenciadas.
Por que importa: pelo tamanho do mercado da Flórida, endurecer regras muda o jogo para operadores ilegais e protege o ecossistema regulado.
Utah: uso de leis do consumidor contra jogos disfarçados
Mesmo proibindo jogos, Utah reforça ferramentas de proteção ao consumidor para enquadrar produtos “disfarçados” de jogos (incluindo sweepstakes).
Por que importa: modelo jurídico que outros estados “anti-jogo” podem copiar.
Destaque federal: mercados de previsão na mira
No Congresso, surge pressão para impedir contratos de eventos esportivos operarem como “mercados de commodities” e contornarem as leis estaduais de apostas.
Por que importa: é um sinal de que os mercados de previsão entraram no radar regulatório federal — e o cerco pode apertar.
Panorama geral: expansão vs. fiscalização
- Expansão: Maryland, Alabama, Virgínia e Dakota do Sul tentam destravar novas receitas com iGaming e mobile betting.
- Fiscalização: Flórida, Indiana e Utah aceleram o combate a ilegais e sweepstakes.
- Impostos: Illinois revê modelo que derrubou volume de apostas.
Leitura do mercado: os EUA entraram numa fase mais madura de regulação — não é só legalizar, é ajustar impostos, proteger o consumidor e fechar brechas contra o mercado cinza. Para operadores globais, o recado é claro: quem estiver fora do modelo regulado vai perder espaço.