A DraftKings quer transformar mercados de previsão na sua próxima grande avenida de crescimento. O tema dominou a última call de resultados: o CEO Jason Robbins citou “previsões” dezenas de vezes e chamou a categoria de maior oportunidade desde a liberação das apostas esportivas nos EUA em 2018. Mas repetir o sucesso das bets não é garantia de vitória.
Por que a DraftKings pode ganhar tração
- Base de clientes gigante: milhões de usuários ativos em apostas esportivas e fantasy.
- Marketing e capital: capacidade de investir pesado em aquisição e produto.
- Playbook comprovado: já sabe escalar liquidez, odds, promoções e UX.
- Entrada em mercados fechados às bets: contratos de eventos podem abrir portas em estados onde as apostas esportivas ainda não são liberadas, como California e Texas, além da Florida (onde há exclusividade tribal).
Projeção da empresa: a DraftKings mira centenas de milhões de dólares/ano em receitas com previsões nos próximos anos, com impacto positivo em EBITDA.
Onde o jogo muda (e o risco aparece)
Diferente de 2018, a DraftKings não chega primeiro. O mercado já tem players nativos fortes, como Kalshi e Polymarket, com traders experientes e comunidades formadas.
Além disso:
- Concorrência de peso: FanDuel e Fanatics também querem esse espaço.
- Usuário mais exigente: traders de mercados de previsão são mais sensíveis a preço, liquidez e execução do que a “marca”.
- Regulação em disputa: o enquadramento entre apostas x derivativos ainda está sendo testado nos EUA — qualquer virada regulatória muda o jogo.
Como a DraftKings pretende competir
- Formação de mercado: precificar e prover liquidez nos contratos.
- Produtos tipo “acumuladas” (parlays): adaptar mecânicas que já funcionam nas bets para previsões.
- Distribuição dentro do app: empurrar previsões para a base atual, reduzindo CAC.
- Aquisições de infraestrutura: a compra da Railbird Exchange acelera o caminho para uma plataforma própria.
Veredito rápido
A DraftKings tem músculo financeiro, marca e base de usuários para virar player relevante em mercados de previsão. O problema é que, desta vez, ela não é a inovadora — chega para disputar com quem já domina o produto e a comunidade.