A Caesars Entertainment (CZR) é uma das maiores operadoras globais de cassinos, resorts e apostas online, com forte presença física na Las Vegas e atuação crescente no iGaming e nas apostas esportivas digitais nos Estados Unidos. As ações da companhia são negociadas na NASDAQ, o que faz com que seus resultados sejam acompanhados de perto por investidores institucionais e operadores do setor de apostas em mercados regulados — inclusive no Brasil, onde o iGaming vive um momento de estruturação regulatória.
No quarto trimestre, a Caesars reportou receita de US$ 2,92 bilhões, levemente acima das projeções do mercado. Apesar disso, o lucro por ação (EPS) ajustado caiu de -0,27 para -0,33, indicando pressão operacional nos negócios tradicionais de cassinos e hotelaria em Las Vegas. No consolidado de 2025, a receita atingiu US$ 11,5 bilhões, acima dos US$ 11,2 bilhões de 2024.
Após dois anos de prejuízos recorrentes, o lucro pontual de US$ 0,05 por ação no 4º trimestre de 2024 foi apenas uma exceção. A estrutura de capital ainda pesa: a empresa carrega US$ 24,8 bilhões em dívida, inflada pela aquisição da Eldorado em 2020. Em termos contábeis (GAAP), o prejuízo anual foi de US$ 1,23 por ação, número que segue no radar de investidores de longo prazo.
iGaming cresce forte e vira o principal motor do grupo
O destaque positivo segue sendo o segmento digital (iGaming e apostas esportivas online), que registrou receita recorde de US$ 419 milhões em 2025, contra US$ 302 milhões em 2024 — crescimento de 38,7%, acima do guidance da própria empresa. O EBITDA ajustado do Caesars Digital no quarto trimestre alcançou US$ 85 milhões, novo recorde.
Para o mercado brasileiro, o movimento é relevante: grandes operadoras globais estão mostrando, na prática, que o crescimento e a expansão de margem estão no digital, não nos resorts físicos. Em mercados regulados, o iGaming tende a apresentar maior escalabilidade, menor custo marginal e melhor retorno sobre capital — exatamente o cenário que começa a se desenhar no Brasil.
Las Vegas desacelera: ciclo pontual ou mudança estrutural?
Enquanto o digital avança, Las Vegas mostrou sinais de perda de fôlego. A receita do 4º trimestre na cidade caiu de US$ 1,08 bilhão para US$ 1,04 bilhão, e o EBITDA ajustado recuou de US$ 481 milhões para US$ 447 milhões na comparação anual.
Analistas apontam:
- Volatilidade no turismo doméstico dos EUA
- Normalização das tarifas médias (ADR) após picos em 2023–2024
- Reputação negativa sobre preços elevados na Strip de Las Vegas
A empresa esperava que eventos premium, como o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Las Vegas, impulsionassem os resultados de propriedades como Caesars Palace e Paris Las Vegas. O impacto existiu, mas não foi suficiente para reverter a compressão de margens no trimestre.
Para quem atua no mercado brasileiro de apostas e jogos online, a leitura é clara: dependência de fluxo turístico físico aumenta a volatilidade do negócio. O digital, por outro lado, dilui esse risco.
Apostas esportivas estáveis, iGaming acelera
As apostas esportivas mantiveram desempenho estável, enquanto o iGaming cresceu 28% em 2025. A receita média por pagador mensal (ARPMUP) chegou a US$ 198, alta de 8% na comparação anual. Esse dado reforça a tendência de melhora na monetização do usuário digital, algo que operadores no Brasil buscam replicar em um ambiente regulado.
O CEO Thomas Reeg deixou claro que a empresa não pretende entrar em mercados de previsão, por considerar esse modelo próximo de jogos de azar e potencialmente arriscado do ponto de vista regulatório — uma sinalização importante em um momento em que reguladores ao redor do mundo discutem os limites entre apostas, previsões e derivativos de eventos.
Regionais estabilizam resultados, mas competição aumenta
Os cassinos regionais registraram crescimento de 1,6% na receita (US$ 1,36 bilhão), com EBITDA praticamente estável. Novas e renovadas propriedades em Nova Orleans e Danville ajudaram os números. Por outro lado, a concorrência está aumentando em estados como Indiana e Ohio, pressionando margens.
Esse padrão é semelhante ao que se observa em mercados emergentes de apostas: crescimento inicial forte, seguido por competição intensa e compressão de margens — um alerta relevante para operadores que entram cedo em mercados regulados, como o Brasil.
Dívida, fluxo de caixa e leitura para investidores
A alavancagem bruta da Caesars segue elevada (dívida/patrimônio em torno de 6,5x). O ponto positivo é a recuperação do fluxo de caixa livre por ação, que passou de -US$ 1,10 em 2024 para cerca de US$ 1,80 nos últimos 12 meses. O múltiplo Preço/Fluxo de Caixa Livre (P/FCF) em torno de 9,8 sugere que o mercado já precificou boa parte dos riscos.
A administração reafirmou foco em desalavancagem, com Capex direcionado ao digital e melhorias imobiliárias. Não há plano relevante de M&A no curto prazo, o que reduz risco financeiro adicional.
O que o mercado brasileiro pode aprender com a Caesars
O caso da Caesars mostra, de forma prática, três lições estratégicas para o ecossistema de apostas e iGaming no Brasil:
- iGaming é o principal motor de crescimento e margem
- Operações físicas são cíclicas e mais expostas a choques de demanda
- Regulação clara tende a acelerar a maturidade do digital, mas a concorrência rapidamente pressiona margens
Para operadores, investidores e afiliados no Brasil, acompanhar os resultados de gigantes globais ajuda a antecipar movimentos estratégicos, desafios regulatórios e padrões de rentabilidade que tendem a se repetir quando o mercado local atinge maior escala.
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