Projeto de lei em Illinois quer tratar vício em jogos de azar como questão de saúde pública

Projeto de Lei Adicionando Jogos de Azar aos Avanços da Lei de Abuso de Substâncias em Illinois

Um projeto de lei em tramitação no Senado de Illinois pretende ampliar a Lei de Transtornos por Abuso de Substâncias do estado para incluir oficialmente o transtorno do jogo (ludopatia) como um problema de saúde pública. A proposta avançou no Comitê Executivo do Senado com aprovação unânime (8 a 0) e segue agora para segunda leitura.

O texto tem impacto direto para o mercado regulado de apostas e iGaming nos Estados Unidos e serve como referência importante para o debate regulatório no Brasil, especialmente em um momento em que o país discute responsabilidade social, jogo responsável e políticas públicas para prevenção do vício em apostas.


O que muda na prática com o novo projeto de lei

O SB 2749, de autoria da senadora Julie Morrison, propõe que o transtorno do jogo passe a ser tratado formalmente como um problema de saúde pública, assim como o alcoolismo e a dependência química.

Se aprovado, o projeto permitirá:

  • Inclusão do vício em jogos de azar nos programas oficiais de prevenção e tratamento do estado
  • Ampliação do acesso a serviços públicos de apoio psicológico e social para jogadores problemáticos
  • Criação de campanhas educativas e de conscientização
  • Integração do tema às políticas de saúde, assistência social e educação

Segundo dados do Departamento de Serviços Humanos de Illinois, cerca de 3,8% dos adultos do estado apresentam problemas com jogos de azar, enquanto outros 7,7% estão em grupo de risco — números que refletem um desafio estrutural para mercados regulados de apostas.


Nova definição de “jogos de azar” inclui também ofertas ilegais

Um ponto relevante do projeto é a ampliação do conceito legal de “jogos de azar”. A proposta passa a incluir tanto operações regulamentadas quanto plataformas ilegais, algo que dialoga diretamente com o cenário brasileiro, onde o combate ao jogo irregular também é um dos principais desafios da regulação.

Na prática, o texto define jogos de azar como qualquer atividade de aposta em resultados incertos, não se limitando apenas às operações licenciadas pela Illinois Gaming Board.

Esse ponto reforça o entendimento de que políticas de jogo responsável não podem se restringir apenas aos operadores legais, já que o mercado ilegal também gera impacto social e riscos ao consumidor.


Impacto para operadores: avisos obrigatórios e ações de conscientização

O projeto de lei também cria novas obrigações para operadores de apostas e cassinos em Illinois:

  • Exibição obrigatória de mensagens de alerta sobre os riscos do jogo
  • Divulgação de canais oficiais de ajuda e apoio psicológico
  • Campanhas de conscientização sobre vício em jogos
  • Participação em ações educativas voltadas à prevenção

Essas exigências seguem uma tendência global de fortalecimento das políticas de jogo responsável (Responsible Gambling), algo que já começa a ganhar espaço também no debate regulatório brasileiro.


Medidas adicionais previstas no projeto

O texto do SB 2749 inclui ainda:

  • Inclusão do uso problemático de videogames em ações educativas
  • Programas de prevenção em escolas
  • Ações específicas de prevenção ao suicídio associado ao vício em apostas
  • Apoio a pessoas em saída do sistema prisional, grupo considerado de alto risco
  • Criação de uma linha direta gratuita e um site oficial para orientação e encaminhamento

Hoje, Illinois conta com 17 cassinos, cerca de 9 mil terminais de videoloteria (VLTs) e 14 casas de apostas esportivas licenciadas, que geraram mais de US$ 2,2 bilhões em arrecadação tributária em 2025 — o que reforça a importância de políticas públicas para mitigar impactos sociais do setor.


O que o Brasil pode aprender com esse movimento

A iniciativa em Illinois mostra como mercados maduros estão avançando além da arrecadação e da regulação técnica, passando a tratar o impacto social das apostas como parte central da política pública.

Para o Brasil, que vive um momento de consolidação da regulação das apostas e do iGaming, esse tipo de modelo serve como:

  • Referência para construção de políticas de jogo responsável
  • Base para exigências regulatórias mais robustas
  • Exemplo de integração entre regulação, saúde pública e assistência social

A tendência global aponta para um mercado cada vez mais regulado, com maior cobrança sobre operadores no tema de proteção ao jogador, prevenção ao vício e sustentabilidade do setor.

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