A Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou que passará a exigir que todos os árbitros do seu quadro registrem seus CPFs na plataforma federal de autoexclusão de casas de apostas, ferramenta criada pelo Ministério da Fazenda para restringir o acesso de pessoas com influência em resultados esportivos às bets.
A medida será formalizada no novo Regulamento Geral de Arbitragem da entidade, tornando-se obrigatória para quem atua na arbitragem paulista. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo da federação paulista para reforçar a integridade no futebol e combater riscos de corrupção ou interferências externas em partidas.
A ferramenta de autoexclusão, lançada em dezembro de 2025, permite que o usuário bloqueie seu CPF para acesso a plataformas de apostas por períodos que vão de um mês a indeterminado, com opção de reconsideração em 30 dias, e impede tecnicamente a criação de contas nessas plataformas. Regulamentos esportivos nacionais e internacionais já proíbem que árbitros, atletas e dirigentes façam apostas por representarem risco de conflito de interesse e manipulação de resultados.

A FPF também mantém, desde 2015, um comitê de integridade, com canal de denúncias anônimas e mecanismos de prevenção e investigação de manipulação de resultados no futebol paulista. A exigência acompanha iniciativas semelhantes da Confederação Brasileira de Futebol, que determinou que árbitros de sua primeira turma profissional comprovassem a exclusão de seus CPFs das bets.
Especialistas afirmam que a autoexclusão é uma barreira adicional para proteger a integridade das competições, embora o combate a apostas ilegais e edu cação sobre jogo responsável também sejam fatores importantes na prevenção de práticas fraudulentas no esporte.
“Essas medidas representam um avanço importante na consolidação de práticas mais seguras no setor. As ferramentas de autobloqueio são essenciais para o manejo da compulsividade. Contudo, os ajustes de limites no momento de cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole são passos ainda mais importantes para garantir que as apostas continuem sendo uma forma de entretenimento e não um risco”, opinou Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento (CKO) da Empresa Brasileiro de Apoio ao Compulsivo (EBAC), à CNN Brasil.