A Febralot divulgou nesta quinta-feira (26) uma nota oficial protestando contra a suspensão do projeto BetCaixa, plataforma de apostas esportivas que seria operada pela Caixa Econômica Federal, revela o Poder360.
Segundo a entidade, a decisão do governo Lula de bloquear o lançamento da BetCaixa pode reforçar o mercado ilegal de apostas no Brasil e resultar em perdas fiscais significativas. A entidade estima que o país deixe de arrecadar mais de R$ 10 bilhões por ano em tributos devido à predominância de plataformas não regulamentadas.
O lançamento da BetCaixa foi concebido como a entrada da Caixa no mercado de apostas esportivas e jogos online, aproveitando a regulamentação do setor no país. A iniciativa previa uma operação digital integrada à rede de casas lotéricas e aos canais eletrônicos da instituição, com expectativa de movimentar cerca de R$ 2,5 bilhões em 2026.
Apesar da autorização formal concedida para explorar apostas de quota fixa, a sua implementação foi interrompida por determinação do governo, em meio a debates sobre riscos sociais associados às apostas e críticas de setores do próprio governo.

Críticas da Febralot
A Febralot afirma que a paralisação do projeto tem o efeito oposto ao esperado pelo governo. Em comunicado, a federação argumenta que a decisão favorece operadores ilegais — muitas vezes sediados no exterior — que não recolhem tributos nem adotam mecanismos robustos de proteção ao consumidor.
O setor também vem se movimentando politicamente: a Febralot busca apoio de parlamentares no Senado Federal e defende que o tema seja levado ao presidente da República para revisão da decisão.
Embora membros do governo tenham manifestado preocupações sobre efeitos sociais das apostas esportivas, especialistas do setor regulado argumentam que uma operação estatal poderia estabelecer mecanismos de controle e jogo responsável com mais eficácia do que as plataformas clandestinas.
Debate
O debate sobre a expansão de apostas online no Brasil envolve também outras medidas recentes do governo e do Judiciário. Em dezembro de 2025, o Ministério da Fazenda bloqueou o acesso de cerca de 900 mil beneficiários de programas sociais a plataformas de apostas online, seguindo determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar o uso desses benefícios em jogos eletrônicos.