Usuários da plataforma de mercados de previsão Polymarket fizeram lucros milionários com apostas sobre a data de um ataque militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã poucas horas antes das ofensivas começarem, segundo análises de mercado e dados públicos. A movimentação levantou suspeitas de possível uso de informação privilegiada, gerando debate sobre ética e regulação desses sites.
De acordo com uma análise da empresa Bubblemaps citada pela El País, seis contas recém-criadas em fevereiro lucraram mais de US$ 1,2 milhão ao apostar que os Estados Unidos atacariam o Irã até 28 de fevereiro, data em que os primeiros bombardeios foram lançados.
Esses perfis tinham atividade exclusivamente relacionada ao evento e entraram no mercado poucas horas antes dos ataques, o que alimenta especulações sobre possível “insider trading”, ou seja, apostas baseadas em conhecimento antecipado de informações privilegiadas.

A plataforma Polymarket, que permite apostar em desfechos de acontecimentos reais como guerras, eleições e eventos políticos, tem atraído volumes elevados de negociações em contratos ligados ao conflito no Oriente Médio, estimados em centenas de milhões de dólares.
A empresa afirmou que mercados de previsão podem refletir a “sabedoria coletiva” e oferecer sinais valiosos em tempos de incerteza, mas a prática de permitir apostas sobre eventos sensíveis como guerra tem sido criticada por analistas e legisladores por questões éticas e de segurança.
Esta não é a primeira vez que a Polymarket se envolve em controvérsia. O Instituto Nobel abriu uma investigação em outubro passado, em meio a suspeitas de que a decisão de premiar María Corina Machado teria vazado horas antes do anúncio oficial.

Especialistas em blockchain e análise de dados apontam que padrões de apostas atípicos podem indicar que alguns participantes agiram com vantagem indevida. Críticos argumentam que isso expõe lacunas na supervisão regulatória de plataformas offshore como a Polymarket, que não é formalmente regulada por autoridades financeiras nos Estados Unidos ou em outras jurisdições.
O caso reacende o debate sobre a regulação de mercados de previsão que está ocorrendo nos Estados Unidos, especialmente quando envolvem eventos com impacto humano e geopolítico significativo. Grupos políticos e defensores da transparência vêm pedindo maior fiscalização para evitar que essas plataformas se tornem instrumentos de lucro a partir de acontecimentos trágicos ou violentos.