O perfil no Instagram do ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, conhecido como goleiro Bruno, foi removido da plataforma após a divulgação de sites ilegais de apostas esportivas nos stories. A conta, que somava mais de 351 mil seguidores, saiu do ar após ação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Segundo a pasta, a remoção ocorreu após o envio de registros das publicações irregulares à Meta Platforms, responsável pelo Instagram, solicitando providências contra o conteúdo.
Além disso, o órgão também encaminhou os domínios das plataformas divulgadas para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por executar o bloqueio dos endereços eletrônicos.
Divulgação de apostas ilegais
As plataformas promovidas pelo ex-jogador não possuíam licença federal para operar no Brasil, exigência obrigatória desde a implementação do mercado regulado de apostas esportivas no país, iniciada em 2025.
Nos stories publicados, Bruno promovia as plataformas incentivando ganhos financeiros com mensagens como “vem faturar” e “amanhecer faturando”.
Além disso, as publicações não apresentavam avisos obrigatórios sobre restrição para maiores de 18 anos, nem mensagens de jogo responsável, exigências previstas nas normas brasileiras para publicidade de apostas.
Situação atual do goleiro
Aos 41 anos, Bruno Fernandes de Souza atua atualmente no Menezes Esporte Clube, equipe amadora de Minas Gerais.
O ex-goleiro foi condenado pelo homicídio de Eliza Samudio e, nesta sexta-feira, teve sua liberdade condicional revogada após descumprir a determinação judicial de não se ausentar do estado do Rio de Janeiro. Em fevereiro, ele havia viajado ao Acre para disputar partidas por uma equipe local na Copa do Brasil.
Mercado ilegal ainda representa grande parcela das apostas
O caso ocorre em meio às discussões sobre o combate ao mercado ilegal de apostas no Brasil.
Um estudo intitulado “Fora do Radar: Dimensionamento e impactos socioeconômicos do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultores, em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e o Instituto Locomotiva, aponta que entre 41% e 51% das apostas realizadas no país ocorrem em plataformas não regulamentadas.
Segundo o levantamento, apenas no segundo trimestre do ano passado, a atuação dessas plataformas gerou uma perda fiscal estimada entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões. Em um período de 12 meses, o prejuízo potencial pode chegar a R$ 10,8 bilhões em arrecadação que deixa de entrar nos cofres públicos.
Como essas empresas atuam fora do sistema regulado — sem pagamento de impostos e sem supervisão governamental —, não é possível determinar com precisão o volume total movimentado ou o impacto econômico exato.
Atualmente, os operadores licenciados pelo governo federal podem ser identificados pelo domínio “.bet.br”, adotado pelas plataformas autorizadas a oferecer apostas de quota fixa no território nacional.