Congresso dos EUA avança com proposta para vetar apostas em guerras e ações do governo

Parlamentares da Casa dos Representantes – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – e do Senado dos Estados Unidos, apresentaram um projeto de lei para proibir apostas envolvendo eventos militares, decisões políticas e outras ações sensíveis do governo. A proposta busca restringir a atuação de plataformas conhecidas como “prediction markets”.

A ideia da Banning Event Trading on Sensitive Operations and Federal Functions (BETS OFF) Act foi liderado pelos parlamentares Chris Murphy e Greg Casar, com apoio de outros congressistas, em resposta a preocupações sobre o uso de informações privilegiadas para lucrar com eventos de grande impacto, como guerras e operações militares.

A proposta prevê a proibição de apostas relacionadas a ações governamentais, terrorismo, assassinatos e conflitos armados — especialmente em situações em que alguém possa conhecer ou influenciar previamente o resultado.

Segundo os autores, o crescimento dessas plataformas levantou alertas após apostas consideradas suspeitas em eventos recentes, como operações militares envolvendo os Estados Unidos no Oriente Médio e na América Latina.

Para os defensores do projeto, esse tipo de mercado cria riscos éticos e de segurança nacional. “Mercados desse tipo são propensos à corrupção e podem incentivar decisões públicas baseadas em interesses financeiros”, afirmou Murphy.

Além de proibir esse tipo de aposta, o BETS OFF Act também propõe endurecer a legislação contra jogos ilegais, incluindo o bloqueio de sistemas de pagamento usados por plataformas não autorizadas e a aplicação de penalidades a operadores e promotores dessas atividades nos Estados Unidos.

O projeto surge em meio ao crescimento dos chamados mercados de previsão, plataformas digitais onde usuários apostam em resultados de eventos reais — desde eleições até conflitos internacionais. Embora algumas empresas defendam que o modelo funciona como ferramenta de análise e previsão, críticos apontam que ele pode facilitar práticas de “insider trading” e até influenciar decisões governamentais.

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