Senado aprova corte de benefícios fiscais e aumento de impostos sobre bets e fintechs

O Senado aprovou nesta quarta-feira (17) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/2025, que reduz em 10% os benefícios fiscais federais de diversos setores da economia e eleva a tributação sobre as bets e fintechs. O texto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, segue para sanção do presidente Lula.

A proposta, relatada pelo senador Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), faz parte da estratégia do governo para reforçar o caixa e garantir o equilíbrio fiscal em 2026, com previsão de liberar R$ 22,4 bilhões no Orçamento. Segundo o relator, a revisão de benefícios busca “corrigir distorções do sistema tributário e tornar a cobrança mais justa e eficiente”.

Entre as principais medidas, o projeto eleva de 12% para 13% a tributação sobre apostas de quota fixa (bets) em 2026, com aumentos graduais até 15% em 2028. Metade da arrecadação adicional será destinada à seguridade social e a outra metade a ações de saúde pública. O texto também estabelece responsabilidade solidária a empresas e instituições que divulgarem ou operarem com sites de apostas não autorizados.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

“Em tempo, incluímos no texto regras que procuram responsabilizar pessoas que divulguem casas de apostas que operem de forma irregular no país. Nossa intenção é coibir a proliferação de jogos ilegais e desonestos que exploram vulnerabilidades da população, sobretudo de baixa renda. Em adendo, ampliamos a contribuição que as casas de apostas realizam em favor da sociedade, por meio de reforço à arrecadação para a seguridade social”, disse o relator.

As fintechs e sociedades de capitalização passarão a pagar 17,5% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) até 2027 e 20% a partir de 2028. Outras instituições financeiras, como bolsas e administradores de mercado, terão aumento de 9% para 12% até 2027 e 15% a partir de 2028.

O projeto ainda eleva de 15% para 17,5% o Imposto de Renda retido na fonte sobre juros sobre capital próprio (JCP) distribuídos a acionistas. A maior parte das mudanças entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, com prazos específicos para ajustes tributários.

Durante a votação, senadores da base governista afirmaram que a proposta é essencial para manter o equilíbrio das contas públicas e evitar cortes em 2026, enquanto parlamentares da oposição criticaram o texto, alegando que ele aumenta a carga tributária e pode desestimular investimentos, especialmente no setor financeiro e de tecnologia.

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