Em entrevista exclusiva ao Brazil Economy, Darwin Filho comenta as ações do governo no combate às bets ilegais e faz um balanço do primeiro ano da regulamentação do setor no Brasil.
A Gaming365 selecionou os principais trechos e insights da conversa para você entender o momento atual do mercado.
👉 A entrevista completa está disponível ao final do texto.
Um Ano de Regulamentação: Transformando o Mercado de Apostas
Em janeiro, o Brasil celebra o primeiro aniversário da regulamentação do mercado de apostas, uma transformação significativa para um setor que antes operava na informalidade. Com a regulamentação, o mercado passou a ser um setor econômico organizado, auditável e integrado à economia real. Segundo Darwin Filho, CEO da Esportes da Sorte, a regulamentação trouxe ordem, governança e responsabilidade, estabelecendo regras claras, fiscalização contínua e padrões sólidos de compliance, além de mecanismos efetivos de proteção ao consumidor.
No aspecto econômico, o setor de apostas ganhou escala e previsibilidade. Estudos da LCA Consultores e Cruz Consulting indicam que as operadoras licenciadas já investiram R$ 7,5 bilhões em capital próprio, com um efeito multiplicador que pode chegar a R$ 28 bilhões em outros segmentos da economia. O faturamento estimado do setor é de R$ 22 bilhões, representando cerca de 1% do PIB brasileiro, e já gerou 15,5 mil empregos formais. Esses números evidenciam que a regulamentação consolidou uma indústria sustentável com impacto real na economia do país.
Desafios no Combate ao Mercado Ilegal
A Anatel já bloqueou 25 mil sites ilegais de apostas, mas o CEO da Esportes da Sorte ressalta que essa medida, embora relevante, não é suficiente. O mercado clandestino é ágil e se adapta rapidamente a qualquer tentativa de bloqueio, mudando de domínio, estrutura e tecnologia. O verdadeiro desafio está no fluxo financeiro que sustenta esses operadores ilegais.
Darwin Filho enfatiza que a atuação coordenada com o sistema financeiro é crucial para combater o mercado ilegal. Provedores de pagamento, instituições de pagamento e bancos desempenham um papel central na identificação, bloqueio e reporte de transações suspeitas. Quando esse ecossistema funciona de forma rigorosa, o mercado ilegal perde força. No entanto, sem uma rastreabilidade plena e um controle rigoroso, o combate ao mercado ilegal se torna apenas um esforço superficial.
Monitoramento e Fiscalização: Avanços e Oportunidades
Apesar dos avanços no monitoramento e fiscalização financeira das plataformas irregulares, ainda há um longo caminho a percorrer. A integração entre operadoras licenciadas, instituições financeiras e o regulador melhorou, permitindo uma identificação mais rápida de padrões suspeitos. No entanto, a política pública de contenção financeira ao mercado ilegal ainda não alcançou a eficiência necessária.
O principal desafio continua sendo a capacidade dos operadores ilegais de se movimentarem com agilidade, explorando brechas tecnológicas e regulatórias. Para desestruturar o sistema de pagamentos informal que sustenta essas operações, é essencial ampliar a automação dos alertas, padronizar protocolos de verificação e intensificar o compartilhamento inteligente de dados entre os atores envolvidos.
Transparência e Integridade no Esporte
A regulamentação do mercado de apostas trouxe mais transparência, aumentando a capacidade de identificar tentativas de manipulação de resultados. Casos que antes passavam despercebidos agora são detectados com mais rapidez e documentação adequada, contribuindo para a integridade do ambiente esportivo. A exposição desses casos é positiva, pois inibe novas práticas e pressiona instituições esportivas a adotar padrões mais rígidos de governança.
Sobre o aumento de impostos para casas de apostas, Darwin Filho alerta que a discussão deve se concentrar na carga efetiva total, não apenas no valor nominal da alíquota. O Brasil já possui um dos custos regulatórios mais altos do mundo, e qualquer desajuste pode favorecer operadores ilegais. O setor entende seu papel e contribuição, com uma arrecadação prevista de R$ 9 bilhões para 2025, mas precisa de estabilidade e previsibilidade para continuar gerando empregos e investimentos de forma sustentável.
Impacto Econômico e Patrocínios Esportivos
O setor de apostas tem uma contribuição concreta para a arrecadação do governo, com uma estimativa de R$ 9 bilhões em tributos para 2025. Além disso, impulsiona cadeias de tecnologia, publicidade, dados, streaming e eventos, empregando 15,5 mil profissionais formais com um salário médio de R$ 7.000,00. Os patrocínios esportivos também foram elevados a um novo patamar, com um mercado mais racional e contratos baseados em métricas de retorno e visão de longo prazo.
Embora na Europa haja movimentos para restringir patrocínios de apostas, no Brasil, o contexto é diferente. O patrocínio é parte fundamental do financiamento do esporte, e o país encontrou um equilíbrio entre regras claras, comunicação responsável e fiscalização. Qualquer debate sobre restrições deve considerar o impacto econômico e a contribuição estruturante do setor para o esporte nacional.
Perspectivas para o Futuro do Setor
O ano de 2026 será de consolidação para o mercado de apostas no Brasil, com um foco no fortalecimento das bases estabelecidas no primeiro ano de regulamentação. Espera-se mais integração com o sistema financeiro, maior integridade esportiva, mais governança e avanços no jogo responsável. A Copa do Mundo deve trazer um volume inédito de novos usuários, e o diferencial estará na capacidade das empresas de reter esses jogadores com responsabilidade e experiência personalizada.
O setor de apostas continua a evoluir, buscando um equilíbrio entre crescimento econômico e responsabilidade social. Com a regulamentação, o Brasil se posicionou entre os países com protocolos mais robustos de jogo responsável, oferecendo limites de depósito, autoexclusão e monitoramento comportamental. Fortalecer o ambiente regulado é essencial para proteger o consumidor e garantir um mercado justo e transparente.
“Seguir o dinheiro é mais efetivo do que derrubar sites.” – Darwin Filho, CEO da Esportes da Sorte
Leia a entrevista completa: brazileconomy.com.br