O Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou, nesta quinta-feira (15), um caso de manipulação de resultados em jogos de basquete universitário no país norte-americano e na China. Ao todo, 26 pessoas foram acusadas de participar de um esquema de apostas ilegais que teria influenciado o resultado de dezenas de partidas entre 2022 e 2025.
De acordo com a investigação, o grupo combinava resultados e ajustava o desempenho de jogadores para lucrar com apostas esportivas. Entre os acusados está o ex-jogador da NBA Antonio Blakeney, que teria atuado como um dos articuladores do esquema, recrutando atletas universitários dispostos a “jogar abaixo do esperado” em troca de subornos que variavam entre US$ 10 mil e US$ 30 mil por jogo.
O caso envolve ao menos 17 jogadores universitários da NCAA (liga universitária norte-americana) e partidas da Chinese Basketball Association (CBA), na China. Segundo os promotores, a fraude foi planejada para manipular a diferença de pontos (point shaving) — prática em que os resultados são ajustados sem necessariamente alterar o vencedor, dificultando a detecção pelas autoridades e casas de apostas.
As investigações apontam que o grupo usava informações privilegiadas e aplicativos de mensagens criptografadas para coordenar as manipulações. A fraude teria rendido centenas de milhares de dólares aos envolvidos antes de ser descoberta.

O Departamento de Justiça classificou o caso como uma ameaça à integridade do esporte e à indústria de apostas, que cresceu rapidamente nos EUA após a legalização em diversos estados. “A manipulação de resultados corrói a confiança dos torcedores e compromete o espírito de competição”, afirmou o procurador Philip Sellinger, responsável pelo caso.
Segundo o canal norte-americano ABC News, dois dos jogadores citados na acusação, Cedquavious Hunter e Dequavion Short, ambos de Nova Orleans, foram punidos em novembro pela NCAA por supostamente manipularem resultados de jogos.
“Ao fazerem essas apostas em jogos que haviam manipulado, os réus fraudaram casas de apostas esportivas, bem como apostadores individuais, que desconheciam que os réus haviam manipulado corruptamente o resultado desses jogos, que deveriam ter sido decididos de forma justa, com base em uma competição genuína e nos melhores esforços dos jogadores”, diz a acusação.
O presidente da NCAA, Charlie Baker, afirmou em comunicado que a associação continua trabalhando com as autoridades policiais para preservar a legitimidade das competições esportivas universitárias.
“A Associação tem combatido e continuará a combater agressivamente as violações de apostas esportivas no atletismo universitário, utilizando um programa de monitoramento de integridade em várias camadas que abrange mais de 22.000 partidas”, disse Baker.