O Ministério da Saúde informou que a procura por serviços de saúde mental do SUS relacionados à dependência de jogos online cresceu quase 140% nos últimos cinco anos. Os dados foram apresentados durante audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados para discutir os impactos das apostas online na população brasileira.
O debate foi solicitado pelo deputado Vander Loubet e contou com apoio dos deputados Helder Salomão, Lindbergh Farias e Zé Neto.
Autoexclusão
Durante o debate, o governo federal também informou que mais de 500 mil pessoas solicitaram a exclusão por tempo indeterminado de plataformas de apostas por meio da ferramenta de autoexclusão disponível no portal gov.br. Segundo o Ministério da Fazenda, a principal razão apontada pelos usuários foi a perda de controle sobre as apostas.

Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias afirmou que o governo precisou criar uma plataforma de atendimento digital no Meu SUS Digital voltada para pessoas com problemas relacionados aos jogos. Antes do atendimento, o usuário realiza um autoteste para identificar o nível de dependência.
Crescimento antes da regulamentação
Segundo Marcelo, apesar do avanço da regulamentação das apostas nos últimos anos, as plataformas cresceram sem restrições durante a pandemia da Covid-19, cenário que, segundo ele, contribuiu para o aumento dos casos de dependência.
O representante do ministério explicou ainda que muitos apostadores começam ganhando valores, o que estimula a continuidade das apostas. Quando as perdas se acumulam, cresce a tentativa de recuperar o dinheiro perdido, aumentando o endividamento e o comportamento compulsivo.

Já Leandro Lucchesi, representante da Secretaria de Prêmios e Apostas, ligada ao Ministério da Fazenda, afirmou que a regulamentação reduziu a atuação de diversas operadoras e buscou limitar práticas consideradas abusivas, como publicidade que apresenta apostas como forma de complemento de renda.
Segundo ele, o governo também trabalha na identificação de mecanismos de design manipulativo utilizados nas plataformas. Entre os exemplos citados estão o chamado “quase ganho”, quando o jogador acredita ter chegado perto da vitória, e o “ganho negativo”, situação em que o apostador recebe de volta um valor inferior ao apostado, mas o sistema apresenta o resultado como uma vitória.
Novas medidas
Lucchesi informou ainda que o governo estuda implementar classificações de risco para os jogos e ampliar o monitoramento sobre o endividamento relacionado às apostas.
Dados apresentados pelo Ministério da Fazenda apontam que o Brasil tinha pouco mais de 25 milhões de apostadores em 2025, o equivalente a cerca de 18% da população adulta. Segundo o levantamento, o perfil predominante é de homens entre 18 e 50 anos. As perdas estimadas no período chegaram a R$ 38 bilhões.
Ainda de acordo com o governo, metade dos apostadores gastou até R$ 50 em algum mês do ano passado, enquanto cerca de 20% chegaram a apostar aproximadamente R$ 1 mil.
Fonte: Agência Câmara