Solução desenvolvida pela Aposta Responsável auxilia operadores a atender exigências da regulamentação brasileira por meio da identificação de comportamentos de risco e ações preventivas em tempo real
Com a entrada em vigor da regulamentação das apostas esportivas e jogos online no Brasil, operadores passaram a conviver com novas obrigações relacionadas à proteção dos apostadores e ao fortalecimento das políticas de jogo responsável. Nesse cenário, ferramentas de monitoramento comportamental ganham protagonismo dentro das operações reguladas.
Uma dessas soluções é o AR Monitor, plataforma desenvolvida pela iniciativa Aposta Responsável para auxiliar operadores na identificação de comportamentos de risco, no acompanhamento contínuo dos usuários e no cumprimento das exigências previstas pela regulamentação brasileira.
Em entrevista, o advogado e especialista Ricardo Feijó explicou como a ferramenta funciona, os desafios enfrentados pelo mercado e por que o monitoramento ativo dos apostadores tende a se tornar um dos pilares da indústria nos próximos anos.
O que é o AR Monitor?
Segundo Ricardo Feijó, o AR Monitor foi criado para oferecer aos operadores uma solução tecnológica capaz de monitorar continuamente o comportamento dos apostadores e identificar possíveis sinais associados ao jogo problemático.

A ferramenta atua analisando padrões de comportamento em tempo real, permitindo que as plataformas adotem medidas preventivas compatíveis com suas políticas internas de jogo responsável.
“O objetivo é auxiliar os operadores na implementação prática das obrigações regulatórias relacionadas ao acompanhamento de usuários em situação de risco, promovendo uma atuação preventiva e contínua”, explica.
Como funciona o monitoramento dos apostadores?
O sistema avalia diferentes indicadores relacionados à atividade dos usuários dentro das plataformas de apostas.
Entre os fatores monitorados estão:
- padrões de depósitos;
- frequência de utilização da plataforma;
- recorrência de determinados comportamentos;
- indicadores de risco previstos pela regulamentação;
- critérios definidos pelas políticas internas dos operadores.
Com base nesses dados, o sistema consegue classificar os usuários em diferentes níveis de risco e gerar alertas para que as equipes responsáveis possam avaliar a situação e adotar as medidas cabíveis.
Regulamentação exige acompanhamento ativo dos usuários
De acordo com Feijó, o monitoramento contínuo deixou de ser apenas uma boa prática do setor e passou a integrar as obrigações regulatórias das empresas autorizadas a operar no Brasil.
A exigência está prevista na Portaria SPA/MF nº 1.231, de 31 de julho de 2024, que estabelece diretrizes relacionadas à prevenção do jogo problemático, classificação de risco e adoção de medidas preventivas.
Além do aspecto regulatório, o especialista destaca que o tema também está diretamente relacionado à legislação de defesa do consumidor.
“Hoje existe uma expectativa regulatória e jurídica de que os operadores acompanhem os sinais de risco e adotem medidas proporcionais. Isso já começa a aparecer inclusive em demandas judiciais envolvendo apostadores e plataformas”, afirma.
Monitoramento em tempo real fortalece prevenção
Um dos diferenciais do AR Monitor é a capacidade de realizar análises em tempo real.
Segundo Feijó, essa característica permite que os operadores atuem preventivamente, identificando mudanças de comportamento antes que situações mais graves se desenvolvam.
“Muitas vezes os sinais aparecem gradualmente. Quando a plataforma consegue detectar esses comportamentos rapidamente, existe a possibilidade de uma intervenção mais eficiente e adequada ao perfil do usuário”, explica.
A proposta é substituir abordagens exclusivamente reativas por mecanismos capazes de antecipar situações de risco.
Tecnologia complementa equipes de compliance e jogo responsável
Apesar da automação, Ricardo Feijó destaca que o AR Monitor não substitui as equipes responsáveis pelo compliance e pelas políticas de jogo responsável dentro das operadoras.
A ferramenta atua como um sistema de apoio à tomada de decisão, organizando dados, identificando padrões e centralizando informações relevantes para análise.
“O fator humano continua sendo fundamental. A tecnologia auxilia no processamento das informações e na identificação de padrões, mas as decisões continuam sendo conduzidas pelas equipes especializadas”, ressalta.
Plataforma oferece relatórios e central de gerenciamento de risco
Além da geração de alertas, o AR Monitor conta com uma série de funcionalidades voltadas à governança e à conformidade regulatória.
Entre os recursos disponíveis estão:
- relatórios operacionais;
- documentação de ações realizadas;
- histórico de interações com usuários;
- classificação de risco;
- acompanhamento de casos;
- central de gerenciamento de risco.
Essas funcionalidades permitem que os operadores mantenham registros estruturados de suas ações e demonstrem conformidade em eventuais processos de fiscalização.
Mercado brasileiro avança para um modelo mais maduro
Para Ricardo Feijó, o setor brasileiro passa por um importante processo de amadurecimento regulatório.
Ele avalia que as exigências relacionadas ao jogo responsável estão entre as mais relevantes da nova fase do mercado regulado e devem ganhar ainda mais importância nos próximos anos.
“O monitoramento comportamental tende a deixar de ser um diferencial competitivo para se tornar um componente essencial da operação regulada”, afirma.
Próximos passos incluem automação preventiva e comunicação educativa
A evolução da plataforma passa agora pela ampliação dos mecanismos de prevenção e orientação aos usuários.
Segundo Feijó, estão em desenvolvimento novas funcionalidades que permitirão comunicações automáticas direcionadas a usuários classificados em diferentes níveis de risco.
Entre as iniciativas previstas estão:
- envio de materiais educativos;
- recomendações sobre jogo responsável;
- sugestões de limites prudenciais;
- realização de autotestes;
- encaminhamento para redes de apoio especializadas.
A proposta é fortalecer uma atuação preventiva baseada em informação, conscientização e apoio ao usuário.
Proteção do usuário e sustentabilidade do mercado
Questionado sobre possíveis preocupações relacionadas à privacidade, Ricardo Feijó afirma que o monitoramento ocorre dentro dos limites estabelecidos pela regulamentação e pelas normas de proteção de dados.
Segundo ele, o foco não é restringir arbitrariamente a atividade dos usuários, mas identificar sinais de risco e promover ações compatíveis com as políticas de jogo responsável.
“O objetivo é criar um ambiente mais seguro e sustentável para todos os envolvidos”, explica.
O futuro do jogo responsável no Brasil
Para os próximos anos, Feijó acredita que o jogo responsável ocupará posição central dentro das estratégias das operadoras reguladas.
O uso de inteligência de dados, automação e ferramentas de monitoramento deve ganhar relevância à medida que o mercado evolui e as exigências regulatórias se tornam mais sofisticadas.
“Os operadores que conseguirem implementar mecanismos efetivos de prevenção, monitoramento e apoio aos usuários estarão mais preparados para construir operações sustentáveis, seguras e alinhadas às expectativas do regulador e da sociedade”, conclui.
Sobre o Aposta Responsável
O Aposta Responsável é uma iniciativa voltada à promoção do jogo responsável no mercado brasileiro, conectando tecnologia, informação e redes de apoio especializadas para auxiliar operadores e apostadores.
O projeto atua no desenvolvimento de soluções voltadas à conscientização, prevenção, monitoramento comportamental e apoio a usuários, contribuindo para a construção de um ambiente regulado mais seguro e sustentável.
Informações: contato@apostaresponsavel.com.br