A CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado ouviu nesta quarta-feira (11), os depoimentos de Daniel Vasconcelos e Ede Vicente Ferreira Júnior, sobre as suspeitas de manipulação de resultados no Campeonato Candangão de 2024.
Daniel Vasconcelos, atual presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal, foi convidado a depor na CPI da manipulação de jogos por ter sido citado por outro depoente, William Rogatto, que teria apontado aos senadores o seu envolvimento em esquemas de manipulação de jogos em Brasília. Já Ede Ferreira argumentou que o depósito de R$ 3,5 mil, feito por Rogatto dias antes de o time sub-20 do Nova Cidade, treinado por ele, perder um jogo de virada, foi para pagar contas pessoais, sem relação com apostas online ligadas ao resultado do jogo.
Daniel afirmou que não conhece William Rogatto e nunca conversou com ele, ao contrário do que ele teria dito à CPI.
“Não conheço esse cidadão. Nunca falei com, nunca troquei mensagem, nunca recebi uma ligação dele. A própria presidente do Santa Maria (Dayane) explicou aos senhores como ele chegou ao Santa Maria. Tudo que ele falou que foi através de mim e mentira. Sempre tive muito cuidado e zelo com isso. Eu fui ao Ministério Público alertá-los em fevereiro para relatar situações, inclusive ameaças. Entreguei o meu celular ao Gaeco à época”, disse Daniel Vasconcelos, referindo-se à Operação Fim de Jogo deflagrada em março pelo Ministério Público do DF e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime (Gaeco).
Durante a sessão, o senador Romário (PL-RJ) explicou que o modelo de atuação de William Rogatto, que assume o controle de times pequenos e escala jogadores de sua confiança para controlar os resultados dos jogos, tem sido uma constante nas investigações da CPI. Mas Daniel disse que isso só acontece com clubes que terceirizam a sua gestão.

O segundo depoente, Ede Vicente Ferreira Junior, contou que foi atleta e passou a trabalhar como treinador de goleiros e auxiliar técnico após parar de jogar, em 2017. Ede foi questionado por Romário sobre o resultado de uma partida disputada em julho deste ano pelo time sub-20 do Nova Cidade, do Rio de Janeiro e o Belford Roxo.
Na partida em questão, o Nova Cidade vencia até a primeira metade do jogo, mas sofreu uma virada no tempo final. O senador citou que as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram que a partida registrou um volume incomum de apostas em Bets da Ásia apontando justamente que o Nova Cidade venceria no primeiro tempo, mas seria derrotado no final.
”Naquele momento, o senhor era o treinador e gestor do time sub-20 do Nova Cidade. O senhor identificou algum comportamento anormal por parte de algum dos jogadores?”, indagou o senador.
Ede disse que assim que o adversário empatou, tentou fazer algumas mudanças no seu time para evitar a derrota, mas não teve êxito.”Eu não posso aqui, sem provas, acusar ninguém; a gente vê algumas situações, dentro de algumas partidas, em que acontece isso; aconteceu, a gente viu aí, com o Botafogo no ano passado; ele ganhando de 3 a 0, tomou o 4 a 3; mas claro que a gente não espera que isso aconteça com a gente, mas infelizmente isso aconteceu lá dentro desse jogo”, disse o depoente.
Ede disse que não tinha conhecimento de apostas na Ásia envolvendo o resultado da partida do Nova Cidade e que se desconfiasse que algum atleta estaria agindo intencionalmente para influir no resultado, o teria tirado do time. Ele confirmou que conheceu pessoalmente William Rogatto, apontado como chefe da quadrilha que manipula resultados de partidas de futebol; e que recebeu uma transferência bancária de 3 mil e 500 Reais de Rogatto, um mês antes da partida. Segundo ele, um empréstimo informal, apenas para que pudesse resolver problemas pessoais.